MATÉRIA é uma peça de videoarte que nos submerge no ponto de tensão onde criador e criação se confrontam. A obra utiliza o barro não apenas como matéria, mas como uma metáfora. Moldar confunde-se com ser moldado, mergulhando o criador numa luta existencial pela liberdade face às suas próprias limitações. A identidade, a transformação e a busca incessante pela autenticidade são os motores que levam o ser humano a confrontar o legado da sua própria criação.
A obra transcende a exploração puramente estética da cerâmica, posicionando-se como um comentário pertinente sobre a condição humana contemporânea. Numa época dominada por um alinhamento de pensamento que restringe a margem para a diferença, o confronto entre criador e obra reflete a tensão psicológica do indivíduo que luta pela autenticidade. O projeto espelha a exaustão mental de ter que redefinir ideias e posturas perante a criação, tornando-se um espelho da resiliência individual face à homogeneização cultural.
Este trabalho insere-se no campo das Artes Intermédias, sendo fruto da colaboração entre o realizador Joaquim Pavão e o compositor Xavier Marques, artistas com um percurso consolidado no cruzamento entre cinema, performance sonora ao vivo e artes visuais. Em formato de curta-metragem experimental, a obra propõe uma abordagem sensorial ao universo da cerâmica, acompanhando o percurso da matéria bruta ao objeto artístico, numa intensa fusão de imagem, música e performance do gesto.
A originalidade do projeto reside na sua metodologia de rodagem arrojada e no choque visual resultante. A obra obtém uma perspetiva única através do uso de atores submersos em água, executando ações incomuns em ambiente de desconforto físico e psicológico (como mergulhar de cabeça para baixo ou vocalizar sob a água). Esta técnica radical permitiu capturar imagens e perspetivas visceralmente originais e pouco usuais, elevando a metáfora do confronto a um novo patamar de vulnerabilidade material e garantindo o diferencial estético da peça.
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